As corridas de cavalos organizadas chegaram ao Brasil junto com a onda de modernização do século XIX. Conforme Rio de Janeiro e São Paulo trocavam o perfil de cidades coloniais pelo de metrópoles em formação — com teatros, clubes, avenidas e jornais — o turfe entrou nessa leva: surgiram os primeiros clubes de corrida, as pistas ganharam regras oficiais e o calendário hípico virou assunto de rodinha nos cafés.
No começo, era um programa da elite: trajes de gala, arquibancada elegante e negócios fechados entre fazendeiros e criadores. Com o tempo, porém, o esporte virou espetáculo popular. As bilheterias enchiam, os cavalos se tornavam ídolos com apelido e a criação de Puro Sangue Inglês se profissionalizou, com haras fortes no interior paulista e, principalmente, no Rio Grande do Sul — até hoje berço de grandes campeões nacionais.
Antes de o futebol conquistar as multidões, o turfe era o grande esporte de espetáculo do país. As reuniões importantes praticamente paravam a cidade, os resultados saíam estampados nos jornais no dia seguinte e cada clássico construía sua própria mitologia. Essa base de tradição é o que sustenta o esporte até hoje.